Numa altura em que o Santo adre apela a paz “que só pode nascer do respeito pelos direitos humanos, família, comunidades e povos, superando a discriminação religiosa, cultural ou social”, o que fazemos para seguir o seu apelo?
Em 1984 foi adoptada pela ONU a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Concebida com a ajuda de várias pessoas dos 4 cantos do mundo, a Declaração apresenta os direitos humanos básicos.
O primeiro registo que se tem de uma declaração dos direitos humanos remonta o ano 539 a.C., escrita por Cilindro de Ciro, o rei da Pérsia, o que demonstra que há muito que o Homem tem consciência de que não é possível viver na anarquia, é necessário que haja respeito entre todos os homens para que possamos existir em sociedade.
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade” (artigo 1).
Considerando a estrutura e os artigos da Declaração Universal dos Direitos do Homem facilmente nos apercebemos de que o que a Declaração defende, também nós cristaos o defendemos: o amor ao próximo.
Criámos os Direitos Humanos, tornámo-los universais, os Estados comprometeram-se a promover o respeito dos direitos do homem, tornando-os num ideal comum a ser atingido por todas as nações e mesmo assim o nosso mundo, em pleno séc. XXI, continua assolado por problemas como a pobreza, fome, discriminação, o tráfico de droga, a comercialização de crianças... de que vale termos direitos humanos se não temos humanos direitos?
A nossa realidade somos nós que a criamos, Deus não se impoe, só ama. O Senhor tem o poder de tudo criar e de tudo destruir, mas escolhe dar ao Homem a liberdade de fazer opções.
Se somos nós que criamos os problemas do nosso mundo também somos nós os responsáveis pela sua solução! São Paulo dá a resposta as nossas dificuldades: apenas dando testemunho da cruz, isto é, testemunho desse Jesus, que amou radicalmente e fez da sua vida um dom a todos é que é possível criar um mundo onde nasçam Homens Novos.
Procuremos ser portadores deste amor que dignifica o ser humano, afinal “a Igreja tem a grande tarefa de conservar e alimentar a fé do povo de Deus, e recordar também aos fiéis (...) que, em virtude do seu baptismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo" (Bento XVI).
Zélia Silva
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